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Crítica | Bioshock Infinte



Bioshock Infinite é o novo FPS da Irrational Games, os mesmos que criaram o primeiro Bioshock publicado pela 2K Games. A ideia é simples: "Traz-nos a rapariga e pagamos as tuas dívidas." Booker DeWitt é a personagem com que jogamos (aquele com as dívidas), mas não a personagem principal. Esse papel cai sobre “a rapariga”, Elizabeth, que temos de ir buscar à cidade flutuante de Columbia, uma cidade construída sobre os valores Americanos antigos, com um pouco de racismo e xenofobia à mistura. Mas acabamos por perceber que não é assim tão simples.

Bioshock Infinite é aquele tipo de jogo que é difícil falar sobre ele, pois deixa-nos num estado de espanto demasiado grande com tudo aquilo que consegue fazer com sucesso, que acaba por ser difícil de ver ou sequer querer ver o que o jogo tem de mal. Isso não é para dizer que o jogo não faça coisas mal (faz algumas até), mas continua a ser o melhor jogo que joguei desde alguns anos e o jogo que mais merece ser jogado este ano (até agora).

O forte do jogo, sem dúvida alguma, é a história. Está muito bem executada, está carregada de mensagens sócio-políticas, religiosas, morais, e também de vários temas de ficção cientifica que faz lembrar um pouco a serie Fringe. Tem uma reviravolta não esperada no final, e tem um final muito… divisor. Alguns vão dizer que é genial e que adoraram (eu), outros vão dizer que não faz sentido e que odiaram. Cheguei até a pensar que este jogo fosse aquele que eu pudesse apontar aos meus amigos e familiares que não jogam jogos por acharem que é uma “brincadeira sem sentido” e dizer “joguem este jogo que mudam de opinião”, mas não é por uma simples razão: o gameplay.

Bioshock Infinite é, na sua descrição, um shooter, um fps, um jogo de ação, e, na minha opinião, o jogo seria melhor sem toda a ação violenta, combate e tiros. Depois de jogar o jogo, viver a sua historia e passar pelo seu gameplay, tudo o que eu podia pensar era o quão o jogo podia ter sido melhor se fosse executado como, por exemplo, o jogo The Walking Dead (o da TellTale, não o novo publicado pela Activision), um tipo de jogo mais focado na história, nas personagens e menos no gameplay.


Para já o combate não é tão bom como outros jogos do mesmo género. Não é mau, e não é doloroso, e até é bem divertido, principalmente o “Sky Hook”, uma espécie de linha fria suspensa no ar em que o jogador pode viajar até durante o combate para criar oportunidades estratégicas interessantes e muito divertidas, mas há espaço para melhorias.

É caótico, nunca sabemos de onde vêm os tiros, ás vezes até frustrante, na dificuldade média, visto que o sistema de gravar do jogo funciona de uma forma não muito agradável (grava aproximadamente de 20/30 a 20/30 minutos), os inimigos têm níveis de dificuldade que não faz grande sentido, os poderes (a magia) que neste jogo se chamam Vigors parecem não condizer com a história do jogo visto que raramente vemos alguém a usá-los fora do jogador.

Também é um jogo desnecessariamente violento. Sempre que é usado o ataque de melee é como uma torneira de sangue com extremamente violentas mortes. Talvez isto seja para dar o contraste de um jogo com uma historia profunda e significante com um jogo de tiros “sem cérebro” para indicar o excesso de violência noutros jogos, mas penso que seja mais para poder agradar a todos (os que querem jogar um jogo de tiros normal e os que querem uma experiência fantástica de história).



















As personagens e tudo acerca delas está muito bem (MUITO BEM) feito, as mudanças na personalidade das personagens  estão fantásticas, principalmente as de Elizabeth, que está com o jogador durante a maior parte do jogo, o voice acting está perfeito. Elizabeth tem a melhor inteligência artificial que já vi em parceiros num jogo, não só não chateando, mas genuinamente ajudando o jogador em situações difíceis. Afinal de contas, como poderiam concretizar uma história tão ambiciosa como esta senão criassem personagens com quem nos identificamos e simpatizamos, e Bioshock Infinte tem tudo isso.

Os gráficos são coloridos, vibrantes, bonitos, e quando a cor não está lá, mais para frente do jogo, continua a ser um jogo com visuais extremamente impressionantes.
Podem notar que enquanto eu digo que a história do jogo está fantástica, não a referi. Isso é porque está boa demais para eu sequer correr o risco de fazer o infamo-o “spoiler”. Digo apenas que não necessitam ter jogado os dois primeiros Bioshock para gostarem deste, visto que os dois primeiros jogos e este teceiro não têm ligações entre personagens da história, apesar de aqueles que jogaram os primeiros jogos poderem apreciar melhor o final do jogo, não é nem de perto de necessário.

Aconselho vivamente este jogo a qualquer pessoa que esteja minimamente familiarizada com jogos de tiros, e que aprecie uma boa história com um significado maior que “vai ali e faz boom naquelas pessoas por causa de terrorismo” e por favor não fiquem com nenhuma ideia de que não gostariam do jogo a partir desta crítica, eu critico o jogo mas isso é apenas porque o amo, sem dúvida um jogo inesquecível, e um que vai querer repetir assim que o acabar.

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